A cárie dental é a doença crônica mais comum na infância, consistindo em um grande problema para a saúde pública mundial. Um fator importante que deve ser levado em consideração é que ela pode ser prevenida, controlada ou mesmo revertida. Para prevenção, é necessário conhecer sua etiologia e os fatores de risco para o seu desenvolvimento. O controle e a reversão de tal doença são possíveis caso seja diagnosticada em estágio inicial, que é a presença de mancha branca no esmalte dental, sem cavidades. Quando a situação clínica envolve cavidades dentárias, há necessidade de tratamento curativo e preventivo, a fim de modificar as condições que levaram ao desenvolvimento da doença cárie. A evolução da doença é capaz de causar grande destruição dos dentes, ou até mesmo sua perda, podendo resultar em complicações locais, sistêmicas, psicológicas e sociais.
Estudos recentes realizados no Brasil afirmam que a prevalência de cárie na infância varia de 12 a 46%, sendo que a faixa etária que desenvolveu mais cárie foi de 1 a 3 anos de idade. O último levantamento epidemiológico nacional em saúde bucal encontrou uma prevalência de 26,85% na experiência de cárie em crianças entre 18 e 36 meses, existindo um evidente incremento com avanço da idade, independente do gênero.
A Organização Mundial da Saúde fixa metas decenais para estimular países em desenvolvimento a adotarem medidas para melhorar seus indicadores em saúde bucal. Para 2016, a Organização Mundial de Saúde espera que 90% desses indivíduos estejam livres de cáries. Esse é um desafio que requer esforço conjunto dos profissionais da saúde, no intuito de identificar as crianças com perfil de risco para cárie dentária, a fim de preveni-la, quando a relação custo-benefício ainda é extremamente positiva.
A cárie precoce e severa na infância representa um problema de saúde pública e requer um esforço de todos os profissionais da saúde que atendem crianças. A saúde bucal não deve ser vista de forma dissociada da saúde geral. O objetivo da odontologia vai além da preservação dos dentes, vislumbra a manutenção da saúde bucal e sistêmica.
A criança tem seus cuidados e valores recebidos do núcleo familiar. Desse modo, devemos modificar os fatores de risco para o desenvolvimento da doença cárie com a família e principalmente buscar a prevenção. A prevenção é barata, mas requer esforços do núcleo familiar, que nem sempre tem conhecimento sobre as repercussões que a doença cárie pode causar, ou mesmo quando percebem, é porque está estabelecida repercutindo na vida da criança e da família.
É importante que profissionais da saúde que atendem crianças saibam reconhecer e modificar os fatores de risco para o desenvolvimento de doenças, já que os eventos ocorridos na infância podem impactar a vida adulta determinando a condição futura da criança.



