Bruxismo de vigília e dor facial
Muitos estudos já foram feitos para descrever e entender o bruxismo, principalmente o “do sono” e as suas consequências. Porém, o bruxismo de vigília continua sendo esquecido ou até desprezado principalmente pela dificuldade de estabelecer parâmetros confiáveis de mensuração e avaliação.
Os hábitos dos pacientes durante o sono e/ou durante a vigília têm sido descritos como fatores de grande importância no desencadeamento e manutenção dos distúrbios funcionais orofaciais. E o bruxismo de vigília parece ser o mais prejudicial deles.
Apesar de algumas semelhanças, o bruxismo de vigília e do sono apresentam diferentes etiologias e fisiopatologias e devem ser vistos como entidades distintas.
O bruxismo de vigília é descrito como uma atividade parafuncional oral caracterizada clinicamente por Apertamento dentário durante a vigília – isto é, durante o período “acordado” e associada a contrações prolongadas dos músculos da mastigação.
Estudos sugerem que a prevalência de bruxismo de vigília na população varia de 20% a 90%. Essas diferenças podem ser explicadas pelo fato de que os métodos utilizados para quantificar esses contatos dependem exclusivamente do autorrelato do paciente, o que contribui para resultados tão divergentes.
Contudo, ainda persistem muitas perguntas sobre a etiologia dessas dores músculo-esqueléticas mastigatórias funcionais, apesar de sabermos que existe uma associação proporcional entre os hábitos parafuncionais (Bruxismo de vigília, por exemplo), o estresse emocional (tensão psicossocial diária e o aumento da disfunção e da atividade muscular.
Em relação à terapêutica, publicações recentes sugerem que a redução dos contatos dentários através de técnicas de reversão de hábito pode ser um mecanismo promissor para o alívio das dores musculares craniofaciais.
Tratamento:
Não existe consenso sobre um tratamento único, seguro e eficaz do bruxismo. Há autores que recomendam a utilização da denominada abordagem triplo P: Papo(conselhos comportamentais), Placa(de relaxamento muscular) e Pílulas(analgésicos, relaxantes musculares e antiinflamatórios) para amenizar os efeitos do Bruxismo.
Em relação a medicamentos, não existe ainda indicação precisa para o tratamento do bruxismo, porém vários estudos estão sendo conduzidos para avaliar os efeitos da toxina botulínica sobre os músculos envolvidos. Por enquanto, os resultados não são conclusivos e não nos autorizam a privilegiar o seu uso em detrimento das terapêuticas já consagradas como a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) e as terapias físicas, na maioria dos casos de bruxismo.
A utilização de uma placa de mordida ou relaxamento muscular e de proteção dental de uso noturno pode ser indicada para evitar danos aos dentes, mas não para tratar o Bruxismo. Essas placas são geralmente confeccionadas em acrílico rígido e ajustadas sobre os dentes superiores ou inferiores. As terapias físicas, como a fisioterapia (que se tornou parte integrante da abordagem interdisciplinar advogada no tratamento da dor e da DTM), a termoterapia ou outras, também são citadas para aliviar a dor, reverter a disfunção e restaurar a função muscular e articular ideal. Dentro desta abordagem, os pacientes são orientados a realizar exercícios de alongamento e relaxamento em casa, automassagens, sempre associados a técnicas de reversão de hábitos.
Os fatores emocionais tais como ansiedade, medo, perfeccionismo, agressividade, raiva e frustração são vistos, hoje, como fatores de risco importantes para desencadear hábitos orais de vigília como o Apertamento Dentário.


