Viajar de avião logo após um procedimento odontológico pode parecer algo simples, mas, dependendo do tipo de cirurgia realizada, o momento do voo merece atenção especial.
Embora as aeronaves comerciais sejam pressurizadas, a pressão dentro da cabine é inferior à pressão atmosférica ao nível do mar. Durante a subida e a descida, essas variações podem provocar alterações de pressão em cavidades que contêm ar, incluindo os seios da face, e também desencadear dor relacionada a determinadas condições odontológicas.
O que pode acontecer durante o voo?
Após procedimentos odontológicos, especialmente cirúrgicos, existe uma região que está em processo de cicatrização. Alterações de pressão podem estar associadas a:
• dor ou desconforto na região operada;
• aumento da sensação de pressão na face;
• sangramento ou alterações do coágulo em determinadas situações;
• barotrauma dos seios da face;
• barossinusite, principalmente quando o procedimento envolve a região posterior da maxila e o seio maxilar;
• maior desconforto em procedimentos que envolveram enxertos ósseos ou cirurgia de elevação do seio maxilar.
Um fenômeno conhecido como barodontalgia corresponde à dor dentária relacionada às variações de pressão atmosférica.
Ela pode ocorrer principalmente quando existe alguma condição odontológica subjacente ou após determinados procedimentos recentes.
E depois de uma extração ou colocação de implante?
O período recomendado antes de viajar depende do procedimento, da extensão da cirurgia, da evolução da cicatrização e das condições individuais do paciente.
Uma revisão publicada no British Dental Journal sugere, como referência clínica, intervalos mínimos de aproximadamente:
• Extração simples: 24–48 horas
• Extração cirúrgica: cerca de 72 horas
• Instalação de implante sem complicações: cerca de 72 horas
• Tratamento endodôntico não cirúrgico: cerca de 72 horas
• Cirurgias mais complexas, como enxertos ósseos e procedimentos envolvendo o seio maxilar: período maior, individualizado pelo cirurgião-dentista.
Esses períodos não devem ser interpretados como uma autorização automática para voar.
A avaliação do profissional que realizou o procedimento é fundamental.


