<p>As amígdalas são duas estruturas redondas que ficam no fundo da boca (uma de cada lado). Elas em geral são visíveis quando nos olhamos no espelho com a boca bem aberta e a língua para fora ou com a boca aberta e a língua comprimida pelo dedo ou uma colher.<br />
A adenoide é uma estrutura arredondada que fica atrás do nariz e acima do céu da boca, em um espaço chamado de rinofaringe. Ela não pode ser vista a olho nu. Só é possível observá-la por meio de radiografia ou endoscopia nasal.</p>
<p>Tanto as amígdalas como a adenoide são compostas por um tipo de tecido responsável por ajudar o organismo a produzir anticorpos e células de defesa. Não é a toa que elas ficam próximas à boca e ao nariz, que são portas de entrada importantes de micro-organismos.<br />
As amígdalas e a adenide costumam aumentar de tamanho até os 5 ou 6 anos de vida, pois é justamente esse o período em que entramos em contato com novos germes. A partir daí ocorre ´sua diminuição natural, até que próximo à adolescência há apenas uma quantidade residual delas (na maioria das pessoas).<br />
Em algumas crianças, o tamanho exagerado (hipertrofia) das adenóides e/ou amígdalas causa problemas de saúde, a ponto do profissional responsável julgar que não dá para apenas esperar que o tempo se encarregue de diminuí-las. Nesses casos, vale a pena operar.</p>
<h3>1) Ainda se opera amígdalas hoje em dia?</h3>
<p>Sim, muitas vezes ainda há indicação. Nos Estados Unidos a cirurgia de adenoide e amígdalas está entre as cinco mais realizadas de todas as cirurgias eletivas. Na Inglaterra é a cirurgia mais comum de todas.<br />
Certamente houve uma redução grande no número de casos em que se indica cirurgia de amígdalas e adenoide nos últimos 20 ou 30 anos. Contudo, quando realmente há indicação, nossa experiência é que a cirurgia é uma verdadeira guinada para melhor na vida da criança. Não raro as mães usam a expressão &#8220;nossa, é outra criança&#8221; após alguns meses da cirurgia.<br />
A Academia Americana de Otorrinolaringologia, em seu último consenso sobre o assunto, diz que &#8220;em muitos casos, a cirurgia pode ser mais eficiente e menos custosa do que tratamentos prolongados para infecções de garganta&#8221;.</p>
<h3>2) Se as amígdalas e adenoide são um órgão de defesa, não é perigoso removê-las? A criança não vai deixar de ter amigdalite para ter faringite ou pneumonia?</h3>
<p>Não. Em primeiro lugar, é verdade que não se deve remover amígdalas e adenoide sem um motivo forte para isso. A cirurgia, mesmo sendo uma cirurgia menor como a das amígdalas e adenoide, nunca deve ser a primeira escolha de tratamento e só se deve lançar mão dessa opção quando o tratamento clínico (medicamentoso) não obtém sucesso e quando os malefícios trazidos pela hipertrofia das amígdalas e adenoide realmente justifiquem o procedimento.<br />
Em segundo lugar, o tecido das amígdalas e adenóide que estão muito hipertrofiadas ou que inflamam com muita frequência já não estão trabalhando a favor do sistema imune da criança (já não funcionam direito). A retirada das amígdalas e adenóide doentes (veja bem, só das que estão doentes) não prejudica o sistema imune da criança. Pelo contrário, a retirada delas deixa de sobrecarregar o sistema imune com as infecções de repetição e ele passa a funcionar melhor, além de favorecer uma melhor respiração bucal.</p>
<h3>3) Se as amígdalas e adenoide vão diminuir com o tempo, para quê operá-las?</h3>
<p>Como disse, porque muitas vezes seu tamanho exagerado (hipertrofia) está prejudicando demais a criança, a ponto de não ser possível simplesmente aguardar alguns anos até que estes tecidos reduzam de tamanho por si só. Uma criança com amigdalite a cada 1 ou 2 meses, por exemplo, faz uso de antibióticos incontáveis vezes por ano, passa muito tempo doente, pode ter dificuldade de ganhar peso. Não há como aguardar 3 ou 4 anos dessa forma. Outra criança que apresente qualidade de sono muito ruim (sono agitado, roncos) por conta da hipertrofia de adenoide, pode vir a ter inclusive sintomas diurnos como sonolência ou hiperatividade. Nesse caso, também fica muito complicado acompanhar a luta da criança todas as noites para respirar por vários anos, principalmente nos casos em que o tratamento clínico se mostrar ineficaz.</p>
<h3>4) Operar as amígdalas e adenoide vai melhorar a alergia da criança?</h3>
<p>Não, a cirurgia das amígdalas e adenoide não vai ter efeito significativo sobre a alergia respiratória. Mas a verdadeira pergunta é: &#8220;O que a criança tem é mesmo rinite alérgica ou é consequência direta da hipertrofia de adenóide?&#8221;. A hipertrofia de adenoide normalmente causa nariz entupido e coriza de forma muito semelhante à rinite alérgica. Nesses casos, os sintomas melhoram sim com a cirurgia.</p>

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