A primeira visita ao odontopediatra deverá acontecer no primeiro ano de vida do bebê, entre o oitavo e o décimo mês, com os primeiros dentes se posicionando. Essa consulta trará certamente muitas orientações e dicas de alimentação e higiene oral adequada para cada faixa etária. No primeiro ano de vida do neném, é dever dos pais uma consulta mensal com o pediatra, portanto, 12 consultas. Nós, odontopediatras, entretanto, pedimos pelo menos uma consulta preventiva com foco principal na orientação aos pais e cuidadores, nesse primeiro ano de vida. O cuidado com a primeira dentição do bebê é sinônimo de um sorriso saudável no futuro. Geralmente, uma única visita no primeiro ano de vida é o suficiente em caso de bebês sem cárie ou sem intercorrências de traumatismos bucais anteriores. Ao examinar a boca do bebê, o profissional irá avaliar a qualidade do esmalte dos dentes, a sua posição, arcadas e gengivas. Qualquer sinal de descalcificação no esmalte dentário será percebido e até tratado nessa época da vida. Crianças acompanhadas, desde cedo, são ensinadas e motivadas a praticarem a saúde bucal com gestos simples, necessários e positivos. Elas são capazes de entender e aprender mais do que imaginamos! Outra vantagem de começar os cuidados mais cedo é que a criança vai se acostumando com o ambiente, com os profissionais e com os procedimentos. Um bom vínculo com o odontopediatra evita ansiedade durante o atendimento. Muitas vezes, a visita é tão tardia que a criança já precisa tratar cáries, canal ou até mesmo extrair o dente. Para que a criança não sofra tendo que passar por tratamentos complexos, o melhor é prevenir! As doenças bucais podem ser evitadas com a prevenção. Como deve ser feita a higiene bucal da criança enquanto ainda não nasceram seus dentes? A limpeza da boca do bebê deve começar a partir do segundo mês de vida, mesmo antes dos dentes aparecerem. Recomendamos usar apenas gaze embebida em água filtrada e fervida, uma vez ao dia, para as bocas sem dentes (gengivas, bochechas e língua). Com a aparição dos primeiros dentes, essa higiene aumenta em quantidade e qualidade: passaremos a usar escova pequena e macia (adaptada para essa faixa etária), com água, na frequência de duas a três vezes ao dia. O creme dental ainda é dispensável. Quais as principais doenças bucais que atingem os bebês? Os traumatismos bucais acontecem com muita frequência, principalmente quando o bebê começa a andar. Podem ser sérios e assustadores quando sangram muito ou fraturam os dentes do bebê. Podem até precisar de atendimento imediato. Infelizmente, as cáries ainda são uma realidade para muitos bebês e crianças pequenas no nosso estado e no nosso país. Ainda existe a crença errada de que os dentes de leite vão ser trocados. Lembramos que, em algumas crianças, eles podem ficar na boca até os 12 anos de idade. A monilíase, conhecida popularmente por sapinho, também é comum e precisa de tratamento simples e higiene bucal. A partir de qual idade é recomendado que a escovação de dentes da criança seja feita com a pasta de dentes convencional? Por que ela deve ser evitada antes desse período? Crianças menores de três anos devem utilizar cremes dentais com critério. Como nessa idade não há coordenação motora, nem maturidade para cuspir, a criança tende a engolir toda a pasta durante a escovação. Os pais ou responsáveis podem executar a escovação, utilizando mínimas quantidades de creme dental com flúor (fala-se em um grão de arroz cru), se estiverem certos de que a água de abastecimento da cidade onde residem preenche os requisitos de fluoretação criteriosa (algo em torno de 0,6 a 1,0 ppm de flúor). A ingestão excessiva de creme dental com flúor pode aumentar o risco de fluorose, que são manchas brancas no esmalte dos dentes permanentes. A orientação de um dentista especializado nessa faixa etária é importante para individualizar a necessidade de cada criança e, até mesmo, o uso de flúor no consultório. A primeira dentição, normalmente, está formada quando a criança está com quantos anos? Geralmente, até os três anos de idade, a criança terá todos os dentes de leite. Ao todo, são 20 dentes (10 superiores e 10 inferiores). É normal um pequeno atraso ou adiantamento dos dentes, nessa fase. Qualquer dúvida maior deve ser tirada com um odontopediatra. O que os pais podem fazer para aliviar o incômodo da criança com o aparecimento dos primeiros dentes? Os primeiros sinais de que os dentes estão chegando são: coceira na gengiva, pela pressão dos dentes, gengiva mais abaulada e esbranquiçada e aumento da salivação, por conta do amadurecimento das glândulas salivares e pela incapacidade de o bebê engolir toda a saliva. Todos esses sintomas podem deixar o sono do bebê mais agitado e com apetite diminuído. O seu bebê pode ficar irritado e instável. A chegada dos primeiros dentes geralmente ocorre no período em que a criança já senta e aumenta seu espaço para brincar. Nessa fase, o bebê leva a mão e tudo o que pega à boca, principalmente para aliviar a coceira das gengivas. As impurezas são transportadas do ambiente para o organismo do bebê, podendo, assim, ocasionar estados febris, vômitos e diarreias, sintomas comumente relacionados pelos pais ao aparecimento dos primeiros dentes. Mordedores de borracha e silicone ajudam a aliviar a coceira gengival, funcionando como massageadores da gengiva. O alívio será maior se antes o mordedor ficar na geladeira, pois o frio traz conforto às gengivas. A mamãe pode ainda fazer massagem com o dedo indicador em toda a gengiva, sempre com a mão bem limpa e as unhas curtas. Se a irritação for muito forte, consulte o odontopediatra e o pediatra, que poderão receitar analgésicos e antitérmicos, após examinar a criança. Preferimos prescrever medicações fitoterápicas ou homeopáticas para esse período que pode ser muito intenso e desagradável para o bebê. A dedeira é uma boa coadjuvante para esse período, pois massageia bastante. Qual é a frequência ideal em que os pais devem levar a criança ao dentista? Após examinar e conhecer a